Um novo espaço publicitário consegue pôr um setor inteiro a fazer a mesma pergunta: já devíamos estar lá? A nossa primeira pergunta seria outra: que decisão do cliente queremos ajudar a resolver?
A publicidade no ChatGPT merece atenção porque aproxima a mensagem comercial de uma conversa em que alguém está a explorar opções. Para uma marca portuguesa, isso pode ser relevante. O entusiasmo precisa, contudo, de um objetivo, de uma oferta compreensível e de uma forma de avaliar o resultado.
Já é possível anunciar no ChatGPT em Portugal?
À data desta análise, 19 de setembro de 2026, Portugal está assinalado como disponível para acesso autónomo ao Ads Manager. A OpenAI esclarece que a entidade legal anunciante e faturada deve estar sediada num dos países elegíveis. Esta disponibilidade não significa que todos os formatos estejam abertos a todas as contas. Fonte: disponibilidade oficial do Ads Manager.
No anúncio de 16 de setembro, a OpenAI apresentou ferramentas de criação e gestão de campanhas com IA, integrações com HubSpot e Shopify e os Sponsored Agents: conversas com agentes patrocinados iniciadas a partir de anúncios. Estes agentes estavam em teste com anunciantes selecionados nos Estados Unidos. A expansão internacional da aplicação para Shopify foi anunciada para 23 de setembro, nos mercados elegíveis; nessa data de consulta, ainda era uma etapa futura. Fonte: anúncio da OpenAI de 16 de setembro.
Um anúncio compra uma recomendação do ChatGPT?
Segundo a OpenAI, os anúncios são identificados e separados das respostas, e os anunciantes não podem alterar ou ordenar essas respostas. A empresa também distingue os dados agregados de desempenho das conversas privadas dos utilizadores. Fonte: perguntas frequentes sobre anúncios no ChatGPT.
Esta distinção deve atravessar todo o discurso comercial. Aparecer num espaço pago não permite apresentar a marca como “recomendada pela IA”. Também não substitui o trabalho de tornar o negócio credível e compreensível nos seus próprios canais.
A leitura da Comuniqa: o contexto exige uma oferta melhor
Vemos interesse num canal capaz de acompanhar perguntas mais detalhadas. Mas uma pergunta detalhada expõe depressa uma oferta vaga. “Soluções à medida”, “excelência” e “inovação” acrescentam pouco quando alguém quer comparar prazos, compatibilidade, condições ou resultados possíveis.
A nossa recomendação é começar pelas dúvidas que já chegam à equipa comercial. Uma empresa de formação recebe perguntas sobre horários, nível de entrada e aplicação prática. Uma marca de mobiliário recebe perguntas sobre dimensões, materiais e entrega. Essas diferenças devem orientar a mensagem e a página de destino, antes de qualquer escolha de plataforma.
Como desenhar um primeiro teste
Num cenário ilustrativo, uma empresa portuguesa de formação quer captar pedidos de informação para um programa destinado a equipas. Propomos um teste com quatro decisões escritas antes do investimento:
- Uma intenção: chegar a empresas a comparar formação para uma necessidade concreta, em vez de promover todo o catálogo.
- Uma página: explicar destinatários, programa, modalidade, calendário e processo de orçamento. As respostas devem corresponder à oferta real.
- Um limite: definir um orçamento que a empresa aceita investir em aprendizagem e uma data de revisão.
- Um resultado: avaliar pedidos qualificados, respetivo custo e progressão comercial, segundo critérios definidos pela equipa.
Um pedido qualificado pode, por exemplo, identificar uma empresa, uma necessidade compatível e um prazo plausível. A definição deve ser igual nos canais comparados. Contar formulários num canal e reuniões noutro produziria uma comparação pouco útil.
O que faria avançar — ou parar — o investimento?
Avançaríamos se o teste trouxesse procura relevante, se a equipa conseguisse responder e se o custo fosse compatível com o valor das oportunidades. Reveríamos a proposta quando houvesse cliques sem interesse comercial ou dúvidas recorrentes que a página não esclarecesse.
O acompanhamento deve ligar os dados disponíveis na plataforma ao registo comercial, respeitando as escolhas de privacidade. Sem essa ligação, uma campanha pode parecer eficiente no relatório e criar pouco trabalho comercial aproveitável.
Também reservaríamos espaço para a incerteza: poucas conversões não chegam para declarar um vencedor e uma oportunidade ainda em negociação não é receita. O primeiro teste deve produzir uma decisão mais informada, mesmo quando essa decisão é esperar.
Na Comuniqa, integraríamos este canal no plano de marketing como um todo. A novidade merece curiosidade. O orçamento merece critério.
Fontes e contexto
Fontes consultadas a 19 de setembro de 2026. As recomendações e os exemplos ilustrativos representam a perspetiva editorial da Comuniqa.
